Manifesto contra o autoritarismo e em defesa da liberdade de cátedra

Tomamos conhecimento de noticias veiculadas nas redes sociais, onde a deputada eleita pelo PSL (Partido Social Liberal) Ana Caroline Campagnolo, autointitulada como defensora do neoconservadorismo, do projeto “Escola Sem Partido”, incita os estudantes das escolas públicas, com evidente extensão para as escolas privadas e universidades em geral para que filmem e denunciem professores e professoras que supostamente se posicionem acerca da  situação sócio-política.

A mordaça do autoritarismo que evoca a publicação e aprovação de aparato legal, intitulada de “Escola Sem Partido”, que fere um dos princípios seculares da profissão, a liberdade de cátedra, tem sido atacada frontalmente, com ações de pessoas estranhas ao universo educacional, com invasão de indivíduos com viés autoritário nas dependências escolares, causando constrangimentos e coações ao exercício profissional.

Assim, a redução do papel de educador em tutor de crianças e adolescentes, com impedimentos que confrontam os preceitos constitucionais, destacados na Constituição de 1988, em seus artigos 205 e 206, na LDB/1996, no PNE (Lei 13.005/2014), artigo 2º, que indica o respeito à liberdade, considerando a diversidade e pluralidade da compreensão da sociedade e suas relações societais, ferindo não somente os educadores, como o próprio ato educativo, razão do conhecimento, da razão, dos fundamentos éticos que elevam à inteligibilidade, a sensibilidade, a universalidade dos saberes, com tarefa edificante do ofício intelectual, manifesta com repúdio as ações nada exemplares da parlamentar eleita, profissional da educação que denigri a categoria e a própria imagem de renovação na política que a referida tanto evidenciou na sua rede social e sua campanha eleitoral.

Em ação destemperada, em ato contínuo a vitória do candidato à Presidência da República, falta ao decoro e ética profissional, traduzindo sua convicção e crença pessoal, em ação doutrinária para traduzir a escola em edifício moral dos pais, desconsiderando a verdadeira tarefa da construção dos professores e professoras na ampliação da cidadania, desejando converter de forma genérica todos em inimigos doutrinadores.

O SINPRO REPUDIA DE FORMA VEEMENTE a tentativa parlamentar, as ações individuais, que tentam sob coação, força e medo, impor uma “Lei Férrea” que amordaça e que produzirá uma elite de inábeis para um mundo que exige criticidade, reflexão e discernimento, impedindo a geração de igualdade de oportunidades numa sociedade tão competitiva.